Essa é, talvez, a maior de todas as utopias.
Alguém é, na verdade, feliz? A felicidade é um estado temporário que nos permite sonhar e sorrir, mas não pode ser mantida indefinidamente. Ela permite criar um contraste entre o bom e o mau, o sonho e a realidade, o desejo e a possibilidade... mas é ilusória. Cada vez mais me convenço disso.
Quanto ao "para sempre" que finaliza a expressão, ele é ainda mais impossível do que ser realmente feliz.
Existirá alguma coisa que dure para sempre, se na vida somos constantemente submetidos a uma sucessão de mudanças que não podemos evitar e que nem sempre são fáceis de aceitar? Existirá algum sentimento, alguma relação, ou algo não-físico que suporte e ultrapasse todas as mudanças sem se ressentir e mudar também?
Ainda há bem pouco tempo atrás, teria dito que sim. E a resposta era fruto da ingenuidade que me era característica.
Hoje, a experiência própria diz-me que não. É duro ter algo ou alguém que se acreditava poder guardar para sempre, e de repente, vê-lo desaparecer. É duro ter tudo e, no momento seguinte, nada ter. É talvez aquilo que mais custa - a dor inerente à perda, as saudades, as recordações... ter tudo isso bem presente na memória e não ser capaz, ou não poder, reviver.
Há, então, que descobrir como nos levantarmos depois da queda. Há que arranjar uma maneira de erguer a cabeça e aguentar de pé. Há que saber como fechar as feridas e transformá-las em cicatrizes. E cada um de nós tem de conseguir tudo isso, sozinho. Não podemos contar com os outros para nos ajudar em semelhante tarefa. Nós, e só nós, podemos reconstruir o nosso mundo, e só assim conseguiremos fortalecer o que somos e recobrar forças para as novas batalhas que se seguirão - pois elas são intermináveis.
Sim, é verdade. O que é a vida senão uma guerra? Cada um participa nela como pode e com as armas que tem disponíveis. Há aqueles que recorrem a truques baixos como a mentira, a falsidade e a traição, e que ganham, não pelo seu valor, mas simplesmente pela frieza, pelo egoísmo e pela insensibilidade. Há também aqueles (tão raros!) que preferem manter-se honestos e verdadeiros, os que preferem perder com dignidade a jogar sujo, os que perseguem os sonhos e dão tudo por eles - essas são as pessoas que devemos admirar e respeitar acima de todas as outras.
E é aí que está, para mim, a verdadeira essência da vida: nunca desistir de nada. Aguentar, lutar e até sofrer se preciso for, mas manter-se firme e fiel àquilo em que se acredita.
Sem objectivos, para quê viver?




